Uma compreensão silenciosa
Eu Compreendi
Hoje, enquanto o dia ainda amanhecia e o céu permanecia escuro, respirei profundamente.
Por um breve instante, senti que estava tudo bem.
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Crônica · Fragmentos de Travessia
Eu Compreendi Mas, dentro de mim, o amanhecer já havia começado.
EVANILDE SILVA
Hoje, enquanto o dia ainda amanhecia e o céu permanecia escuro, respirei profundamente.
Senti um leve incômodo existencial. Por um instante, questionei a vida e a morte. As nuvens negras pareciam contemplar-me em silêncio, como antigas testemunhas dos pensamentos humanos.
Então aconteceu algo inesperado.
Por um breve instante, senti que estava tudo bem.
O medo da morte simplesmente deixou de existir.
Uma compreensão silenciosa surgiu dentro de mim.
Se a consciência continua, como acredito, e a vida é feita de recomeços, então talvez a morte não seja um fim, mas apenas uma passagem.
E, se um dia já percorremos outros caminhos antes deste, a dor não permaneceu. Não me lembro dela. O que permaneceu foi apenas a oportunidade de recomeçar.
Naquele instante, compreendi que, qualquer que seja o mistério além do que conhecemos, talvez não precisemos caminhar com tanto medo.
Não escrevo isso como uma certeza, nem como uma tentativa de convencer alguém. É apenas uma reflexão nascida de um momento de profunda paz.
Então compreendi:
No fim, sempre ficará tudo bem.
Todos ficarão bem.
Senti paz.
Compreendi, também, que a vida é sempre um recomeço.
Respirei profundamente mais uma vez.
O céu continuava escuro.
Mas, dentro de mim, o amanhecer já havia começado.