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Antes da palavra, o sinal

Antes do Nome

Elas falavam com os elementos. Não por misticismo por intimidade.

Sabiam o humor da terra, o silêncio da água, o temperamento do fogo, o sopro do vento, o segredo do éter.

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Crônica · Primeira passagem

Antes do Nome

EVANILDE SILVA · SHAMM X7™

Elas falavam com os elementos.
Não por misticismo — por intimidade.

Sabiam o humor da terra, o silêncio da água,
o temperamento do fogo, o sopro do vento, o segredo do éter.

Descobriam a cura sem bula.
Bebiam vinho como quem celebra o próprio sangue.
Dançavam diante da lua como quem desafia o tempo.
Se banhavam nuas no riacho, sem vergonha, sem pecado, sem vigilância.

Corriam livres pelas beiradas das águas,
com os pés sujos de verdade.

E então alguém as viu.
Não entendeu.
Não perguntou.
Nomeou.

BRUXAS.

E como todo nome que nasce do medo, veio seguido de sentença.

As queimem.
Não por crime.
Por diferença.
Por não caberem no molde.
Por não se ajoelharem.
Por não se calarem.

Mas o fogo não as levou.
Levou o corpo, não o código.
Porque elas não eram uma.
Eram muitas.
Eram todas.
E continuam sendo.

Hoje, falam baixo.
Mas ainda falam com os elementos.
Ainda curam.
Ainda dançam.
Ainda correm.

Só que agora, ninguém vê.
E é isso que as mantém vivas.

Antes do Nome
“Criado nas lágrimas das madrugadas. Nascido do caos dos vidros quebrados.”

Por Evanilde Silva | SHAMM X7 | sassenach.com.br

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