A bruxa entra na presença da lua,
seu rosto banhado em prata e silêncio.
O vento dança ao seu redor,
soprando segredos em sussurros.

A água fria toca sua pele,
um arrepio percorre o tempo.
Ela respira fundo, flutua,
no espelho líquido da meia-noite.

E então — os lobos uivam.
Primeiro um, depois mil ecos,
um coro ancestral que responde:
“Ela está aqui.”

Mas não está só.
Das montanhas frias,
ergue-se a sombra do Feiticeiro.
Seus passos ecoam como trovão contido,
seu olhar carrega tempestades.

Ele chega com o manto do gelo,
com a chama oculta nos olhos,
trazendo o peso dos séculos,
e a leveza dos que conhecem o invisível.

A lua os contempla,
o vento se curva,
os lobos calam por um instante.
A noite entende:
dois portais se encontraram.

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